A ENGENHARIA
Como a Linha de Bernina Sobe os Alpes
O caminho de ferro de aderência, a espiral de Brusio, os declives de 7% e a classificação da UNESCO — a engenharia por detrás da viagem.
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A audácia discreta da linha de Bernina é subir os Alpes sem cremalheira. A maioria dos caminhos de ferro de alta montanha usa um carril dentado e uma roda dentada para se erguer em declives acentuados; a Bernina mantém gradientes até sete por cento com aderência simples entre roda e carril, tornando-se a travessia transalpina mais alta e uma das ferrovias de aderência mais íngremes do mundo. Quando sente o comboio a esforçar-se para cima rumo ao passo, é o atrito e a coragem a fazer o trabalho, não uma roda dentada escondida.
A espiral de Brusio
A solução mais elegante da linha para o declive fica mesmo acima de Tirano: o viaduto circular de Brusio, uma ponte de pedra com nove arcos onde o comboio faz um loop completo de 360 graus sobre os próprios carris, inaugurada em 1908. Onde o vale caía demasiado abruptamente para uma subida reta, os engenheiros optaram por uma espiral ao ar livre em vez de um túnel ou cremalheira — ganhando altitude numa curva graciosa. Hoje é uma das estruturas mais fotografadas de toda a ferrovia.
Pontes, túneis e uma linha de águas
Segundo a própria contagem do caminho de ferro, a viagem do Bernina Express cruza 196 pontes e passa por 55 túneis, subindo além dos glaciares de Morteratsch e Palü até ao Lago Bianco no passo — um lago na divisória continental, onde as águas se separam para fluir para o Adriático de um lado e para o Mar Negro do outro. A linha foi construída para se integrar na paisagem em vez de a perfurar, exatamente o que a UNESCO viria a reconhecer mais tarde.
Porque é que a UNESCO a classificou
Em 2008, a UNESCO inscreveu as linhas Albula e Bernina do Caminho de Ferro Retiano como Património Mundial — o reconhecimento de um caminho de ferro como feito cultural, pela forma ousada e harmoniosa como foi engenhosamente integrado numa paisagem montanhosa difícil há um século. Ao percorrê-lo, é isso que se sente para além da paisagem: não apenas onde estamos, mas o que foi preciso para ali assentar uma via-férrea, e para a manter em funcionamento sobre o telhado dos Alpes.